Pedem-nos para que sejamos empreendedores porque o país está em crise e blá blá blá...E depois existem estas pequenas pessoas que se acham no seu total direito de questionar coisas que em nada têm nexo. Sinto-me assim tão ofendida porque tal como o Martim eu também tenho o meu blog, que tem como primordial intuito dar dicas sobre moda, mas também tem a parte das vendas, neste momento. Esta última, uma coisa mínima, que não foi na sua totalidade impulsionada só por mim, mas que me ajuda efetivamente, e também já faço " exportações". O que é ótimo! Contudo, não vou deixar de fazer o que tenho feito porque as pessoas que trabalham para mim ganham o ordenado mínimo, certo? que ridículo! Se pessoas como eu e o Martim não lhes déssemos trabalho, então aí sim, é que nem o ordenado mínimo ganhavam. (Que ironia!)
Nunca fui de baixar os braços e achar que o tempo me arranjaria propostas e o dinheiro me caísse das árvores, por isso pessoal, e em jeito de incentivo, quem quer começar com um pequeno projeto, COMEÇAM JÁ! Não percam mais tempo e mostrem a todos o que realmente gostam de fazer.
Para quem não viu, vejam agora o grande Martim!
Alguns apontamentos relevantes sobre a discussão e que justificam a pertinência do não embarque nesta banha da cobra dos tempos modernos que é o empreendedorismo, e deste caso em concreto:
ResponderEliminar-não empreende quem quer, e nesse sentido é muito absurdo que o empreendedorismo seja sempre apresentado como solução única para os problemas do desemprego e falta de perspectivas da juventude. Empreender implica um elemento primeiro essencial: o capital (vulgo investimento inicial). Se eu tiver uma ideia espectacular (que pode até ser mais brilhante do que estampar uma fonte de gosto duvidoso numas camisolas de algodão) não vou empreender porra nenhuma porque não tenho dinheiro para impulsionar as minhas ideias, e a banca mandar-me-á bugiar.
-Mesmo que aceitemos que o empreendedorismo é importante porque dinamiza a economia (ainda que neste contexto económico isto seja uma falácia)não é a solução para a generalidade dos problemas. Porque nem todos queremos/podemos fazê-lo e a sociedade não vive só de empresários.
-Dados recentes mostram que mais de 90% dos negócios por conta própria entraram em falência após 3 meses de actividade. O que é natural, tendo em conta que se as pessoas ganham o salário mínimo (que é abaixo do limiar da pobreza, para que conste), não têm dinheiro para comprar absolutamente nada para além do estritamente básico, e nesse sentido a economia paralisa.
-o valor actual do salário mínimo é uma vergonha, e o problema do que o Martim disse, foi precisamente considerar isso um factor de somenos. Não sendo ele directamente responsável por essa situação, é responsável por falar com tamanha leviandade de um verdadeiro flagelo social. É que este tipo de argumentos abre precedentes muito perigosos. Em última análise podem-se baixar consecutivamente os salários até aos mínimos dos mínimos, porque sendo mínimos, são melhor que nada.
-o Martim mentiu. Porque se vangloria de estimular a economia nacional mas tem fornecedores estrangeiros.
-O Martim não tem uma empresa. Vende umas t-shirts na net, relativamente às quais nada declara. Nesse sentido está só a engrossar os números da economia paralela, da fuga aos fisco.
-Se pagasse impostos, como é suposto acontecer com qualquer actividade económica, acho que todos sabemos onde não estava o empreendedorismo do Martim.
Tendo em conta isto é uma vergonha o que o Martim disse, a falta de consciência do que disse, e a quantidade de gente que embarca e publicita estas demagogias baratas.